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O Mistério do Cristo


O final do século XIX e o início do século XX, produziu místicos memoráveis, Iniciados de alto nível, que aproveitaram os ares de liberdade e evolução que pairavam sobre a humanidade, para fundarem Ordens Esotéricas.

Por aquela época, já não havia tanto risco de filiar-se a uma Ordem Esotérica, e assim, a parcela da população mundial que estava preparada, viu abrirem-se diante dela, numerosas portas que conduziam à Senda Mística.

O mundo conheceu então Madame Blavatsky, Harvey Spencer Lewis, Max Heindel e Rudolf Steiner.

Todos fundaram Ordens Esotéricas e legaram à posteridade, numerosos livros de elevado valor.

Blavatsky fundou a Teosofia; Harvey Spencer Lewis, a Ordem Rosacruz – AMORC; Max Heindel, a Fraternidade Rosacruz e Rudolf Steiner, a Antroposofia.

O homem atual não é apenas o corpo denso ou físico. Em uma descrição sintetizada, visualizando apenas a função de cada corpo, teríamos:

- corpo físico ou denso

- corpo etérico – aquele que transfere energia vital para o corpo denso; o duplo do corpo físico

- corpo astral – ligado às emoções

- corpo mental – ligado ao pensamento

- corpo causal – o único que permanece entre encarnações.

Precisaremos desta distinção, pois veremos à frente que Jesus, cedeu ao Cristo, os corpos denso e etérico.

Esses Altos Iniciados eram também videntes, ou seja, podiam se harmonizar com o Cósmico e lerem nos Registros Acásicos e a diferença de seus relatos, deve-se à tarefa que pretendiam realizar. Todavia, há também muitas coincidências nas suas descrições.

Como vemos em Deuteronômio 19, 15, o depoimento de duas testemunhas é aceitável, e veremos pontos coincidentes nos autores supra-mencionados.

De Madame Blavatsky, usaremos o Glossário Teosófico; de Harvey Spencer Lewis, o livro A Vida Mística de Jesus; de Max Heindel, seu Conceito Rosacruz do Cosmos e finalmente, de Rudolf Steiner, O Evangelho Segundo Lucas.

Raymund Andrea, em A Flor da Alma, Ordem Rosacruz – AMORC, demonstra respeito pelo trabalho de Max Heindel e Rudolf Steiner, no Artigo “O Instrutor Teosófico do Mundo, à página 100. Blavatsky e Spencer Lewis dispensam credenciais.

Somente as quatro obras citadas, analisadas em conjunto, poderão dar a visão que tento condensar neste Artigo; visão esta, que me tocou profundamente, face ao grandioso trabalho Celestial que permitiu ao Planeta Terra, receber a encarnação do Cristo.

Darei apenas detalhes essenciais sobre o tema, procurando demonstrar que Jesus é uma personalidade, e Cristo é outra; e também que Cristo manifestou-se neste Planeta, desde o batismo no Rio Jordão (Lc 3, 21-22),

até a entrega do Espiríto no Gólgota (Lc 23,44-46).

A Bíblia de Jerusalém, para mim a melhor tradução em português deste valioso livro, traz a informação exata, em Lc 3, 22:

“E do céu veio uma voz: Tu és o meu Filho, eu hoje, te gerei.”

Rudolf Steiner já defendia esta tradução em 1909, conforme vemos à página 106, Sétima Conferência, O Evangelho Segundo Lucas e anos mais tarde,vemos esta tradução na Bíblia de Jerusalém.

Assim o Cristo foi gerado naquele instante, em que o Espírito Santo ou o mais elevado teor de Consciência Cósmica que o Ocidente conheceu, desceu e integrou-se ao Mestre Jesus, sendo que pelo tempo aproximado de três anos, Cristo se fez homem e habitou entre nós (João 1, 1-18).

Antes do advento do Cristo, a Iniciação só se dava, colocando aqueles que estavam preparados em uma espécie de transe, enquanto o Mestre o levava aos Planos Cósmicos superiores. Esses transes duravam até três dias e meio, sendo que nesse ínterim o corpo físico era guardado, esperando o retorno daquele que partira (Décima Conferência, O Evangelho Segundo Lucas, Rudolf Steiner).

Com a energia que o Cristo trouxe ao Planeta, hoje aquele que se prepara, principalmente em uma Ordem Esotérica autêntica, pode receber a visita do Mestre em seu lar, no estado de vigília ou de sonho, para Iniciá-lo ou elevá-lo ao estágio de Consciência Cósmica.

Este é o verdadeiro perdão trazido pelo Cristo, ou seja, a possibilidade de sermos Iniciados, sem cumprirmos os Dez Mandamentos. Desta forma a Iniciação foi facilitada, enquanto a Lei do Carma permaneceu inalterada.

Steiner de uma certa forma, rompeu com a Teosofia, devido à visão que esta tinha da missão do Cristo. Apesar dele estar com razão neste tópico, ainda assim a quantidade de informação esotéricas trazidas a público pela Teosofia, é excepcional.

Do Glossário Teosófico, usaremos o Verbete Zoroastro:

“Forma grega de Zaratustra”. Precisaremos desta definição, pois veremos que Spencer Lewis usa a palavra Zoroastro, enquanto que Rudolf Steiner usa a palavra Zaratustra.

Madame Blavasky tinha a visão de que Jesus era essênio e foi um mensageiro da Grande Fraternidade, para pregar ensinamentos divinos e pelo espaço de três anos foi Mestre divino dos homens. (Verbetes Cristo e Jesus; Glossário Teosófico).

Spencer Lewis foi mais além. Admitiu a divina concepção de Jesus (página 84/86); esclarece que Jesus foi matriculado em Monte Carmelo, como José, filho de José e Maria, reencarnação de Zoroastro; o “Filho de Deus” (páginas 139/142); que este alcançou, naquela encarnação, o Grau Crístico, na cerimônia realizada na Pirâmide de Quéops, onde recebeu o nome de Jesus (páginas 189/193) e que ele não morreu na cruz, entregando na mesma apenas o Espírito Santo (grau de Consciência Cósmica, acresço) que recebera na Iniciação anterior (páginas 238/244).

Para Max Heindel e Rudolf Steiner, o Cristo é Solar, ou seja, é um Ser da estrela Sol, que se encarnou na Terra, mas eles divergem sobre o nível evolutivo deste ser Cósmico.

Entraremos agora em detalhes, que definirão a diferença entre Jesus e o Cristo. Nos socorrerão para isto, Max Heindel e Rudolf Steiner.

Para Max Heindel Cristo é o mais elevado Ser, de um período de evolução anterior ao nosso, o Período Solar (páginas 192/195). Cristo é então, o mais elevado Iniciado daquele Período (páginas 334/335).

Esse Ser não tinha o Corpo Físico e o Duplo Etérico (corpo etérico ou vital), tendo apenas do Corpo Astral ou de Desejos em diante (páginas 335; 337/340).

Jesus então, ao longo de toda sua preparação, desenvolveu o Corpo Físico e o Corpo Etérico, e entregou-os ao Cristo, aos trinta anos (páginas 338/340).

Com o advento do Cristo, a Iniciação foi aberta para todos (página 358).

Voltemos nossa atenção agora, para Rudolf Steiner. Devo adiantar que a explicação de Steiner é muito mais complexa. Para tanto solicito que se lembrem, de que Zaratustra e Zoroastro são os mesmos nomes. Como veremos abaixo, para Steiner, Buda e Zaratustra contribuíram para formar o corpo denso e o corpo etérico, que Jesus entregou ao Cristo.

Daremos apenas os pontos importantes, sem os detalharmos, da tese que Steiner defende em relação a Jesus.

Inicialmente diremos que para ele, haviam dois Jesus, um seguindo a linha sacerdotal de Natan, e outro seguindo a linha real de Salomão, ambos filhos de Davi (2 Samuel 5, 14).

Ambos nasceram de pais, cujos nomes eram Maria e José.

Para o corpo físico do Jesus natânico, foi usado o corpo etérico de um Ser, que Steiner chama de Adão, de antes do aprofundamento de nossa humanidade na matéria. Somente um corpo etérico dessa magnitude, poderia receber o Nirmanakaya de Buda.

O envoltório astral do Jesus natânico, que se separa do ser humano em evolução quando este alcança a puberdade, foi absorvido pelo Nirmanakaya (corpo espiritual) de Buda. Assim, o Jesus natânico, passou a ser uma personalidade constituída pelo Nirmanakaya de Buda e o envoltório astral que se desligava.

O Jesus salomônico, por sua vez, recebeu o Eu de Zaratustra, que se desenvolveu em sabedoria no menino.

Aos doze anos, o Eu de Zaratustra separa-se do Jesus salomônico e transfere-se para o Jesus natânico, que assim passa a ter somadas, a sabedoria e a sensibilidade, do Nirmanakaya de Buda e do Eu de Zaratustra.

Pouco depois disso acontecer, o Jesus salomônico falece, mas a tempo de construir um corpo etérico fabuloso.

No batismo no Jordão (Lc 3, 21-22), o Eu de Zaratustra se afasta, e o Jesus natânico, entrega os corpos físico e etérico, ao Cristo, que permaneceria entre nós, por um tempo de aproximadamente três anos.

Após o batismo no Jordão, o Eu de Zaratustra, agora liberado, usa o corpo etérico do Jesus salomônico, para plasmar um corpo físico, e neste corpo vem trabalhando junto às Ordens Esotéricas, com o nome de Mestre Jesus.

O Cristo permanece entre nós, desde o Batismo no Jordão (Lc 3, 21-22), até a entrega deste Eu sublime, na cruz, na frase que chegou até nós, “ Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito”(Lc 23, 44-46).

Para Steiner, o Cristo é o Ser, cujo corpo físico é a estrela Sol.

O exposto acima foi sintetizado, das Quarta a Oitava Conferências, proferidas por Steiner em 1909, que formaram o seu livro “O Evangelho Segundo Lucas”.

Ter contato com as teses desses Elevados Místicos, só aumentou em mim, o respeito pelo Cristo.

Espero que vejam os pontos concordantes, dos místicos usados neste Artigo, e de que se lembrem que quando duas ou mais testemunhas atestam o mesmo fato...assim, o Cristo seria um Ser Solar; Mestre Jesus a reencarnação de Zoroastro...

Bibliografia:

- Glossário Teosófico – H. P. Blavatsky – Teosofia

- A Vida Mística de Jesus – Harvey Spencer Lewis – Ordem Rosacruz, Amorc

- Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz

- O Evangelho Segundo Lucas – Rudolf Steiner - Antroposofia


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